No sábado, 19 de março de 2022, no Parc Chanot, em Marselha, representantes políticos, profissionais do setor do CBD e académicos reuniram-se para defender a legalização da cannabis.
Realizou-se um debate, organizado pela Norml, sobre o mercado atual do CBD em Portugal no estrangeiro, com a participação de profissionais do setor do CBD.
Mao Aoust, fundador da High Society e cofundador daUPCBD, esteve presente e participou na conferência.
A França e a cannabis: qual é a situação atual?
É importante saber que a França é o maior consumidor de cannabis na Europa. No entanto, somos o país com uma das políticas mais restritivas e severas da União Europeia.
O debate tinha, portanto, como objetivo reavivar a discussão sobre a descriminalização da venda e do consumo de canábis e de CBD. Com efeito, embora seja totalmente diferente do THC, o CBD é alvo da mesma estigmatização.
Hoje em dia, estudos científicos demonstraram, no entanto, que o CBD não é uma droga e não apresenta efeitos secundários nocivos, tais como efeitos psicotrópicos ou risco de dependência.
A OMS também se pronunciou a favor da comercialização da molécula de CBD de origem europeia. A França encontra-se, portanto, à margem deste avanço e está mesmo a dar passos para trás, como demonstra o decreto publicado no passado dia 31 de dezembro, que proíbe a venda de flores de canábis.
No entanto, o mercado do CBD ainda está a dar os primeiros passos e vai continuar a evoluir e a ganhar dimensão. Por isso, está na hora de mudar as coisas.
Rumo a uma futura legalização da cannabis?
O objetivo deste debate público era, portanto, sensibilizar as pessoas e lutar contra a proibição da cannabis e do CBD.
Durante esta mesa redonda, foi anunciado que está a ser desenvolvido um selo de certificação para produtos acabados à base de CBD. Isto suscita, portanto, a esperança de que os produtos à base de CBD possam ser melhor regulamentados no futuro.
Como salientaram os profissionais do cânhamo e do CBD, proibira produção de cânhamo para extrair canabinóides equivale a autorizar os produtores de vinho a cultivar as suas vinhas, mas proibir-lhes a produção de vinho.
Além disso, os operadores do mercado do CBD estão constantemente sob escrutínio: têm de enfrentar buscas, apreensões de stock, bloqueios na alfândega…
Como recorda Mao Aoust, «Todos os intervenientes no mercado do CBD já pagam impostos. (…) Estamos dispostos a pagar um imposto adicional se deixarem de nos perseguir».
O assédio sofrido pelos profissionais do setor do CBD e pelos consumidores (que, recorde-se, não podem consumir CBD fora de casa) não se justifica.
Estudos científicos realizados no estrangeiro demonstraram uma série de benefícios do CBD.
Como explica ainda Mao Aoust: «Vemos muitos jovens entre os 18 e os 20 anos que procuram deixar o THC para conseguirem os seus diplomas. Às vezes, até as próprias mães vêm comprá-lo para que eles deixem o THC! Também vemos avós com problemas de osteoartrite e artrite que procuram no CBD uma medicina alternativa. Não existe um perfil definido para o CBD, porque hoje em dia temos todos os tipos de pessoas a visitar as nossas lojas.»
É, portanto, evidente que o CBD está a tornar-se cada vez mais acessível e que o Governo não poderá ignorar por muito tempo esta molécula de bem-estar tão promissora. Paralelamente, talvez a legalização total do CBD permita também abrir os olhos para a necessidade de despenalizar a cannabis e, finalmente, limitar os produtos duvidosos provenientes do mercado negro.
Esperemos que o Legalize-it seja o primeiro de uma longa série de debates para abrir as mentes sobreos benefícios do CBD e da cannabis, tanto em Marselha como no resto da França.
Pode ver o debate na íntegra aqui.