Um terço dos doentes com cancro no Canadá consome cannabis

Um terço dos doentes com cancro no Canadá consome cannabis

De acordo com um estudo canadiano recente, as pessoas com cancro consumiriam hoje maiscanabidiol medicinal do que nos anos anteriores.

Um terço dos doentes com cancro no Canadá consome cannabis

De acordo com este estudo, um terço dos doentes canadianos com cancro consumiria atualmente cannabis.


Intitulado «Consumo de cannabis entre adultos canadianos com cancro (2007-2016): resultados de um inquérito nacional», este relatório de investigação foi publicado online pela revista científica Expert Reviews in Pharmacoeconomics & Outcome Research.


Na prática, Omar Abdel-Rahman, investigador da Universidade de Alberta, em Edmonton, consultou e analisou os dados do Inquérito sobre a Saúde nas Comunidades Canadenses (ESCC). Este inquérito é realizado aproximadamente de dois em dois anos, com o objetivo de recolher o máximo de informações sobre o estado de saúde e a utilização dos serviços de saúde por parte de toda a população canadiana.


Entre os participantes do último estudo ESCC, 4667 declararam ter cancro, e mais de um terço desses doentes afirmou ter consumido canábis em 2016. Omar Abdel-Rahman constatou assim que, à medida que o estudo avançava ao longo dos anos, a taxa de consumo decanábis evoluía entre os doentes com cancro. O estudo permitiu também observar que o consumo de canábis podia variar em função de um certo número de fatores demográficos.

Aumento do consumo de cannabis


No seu estudo, Abdel-Rahman indica que, de um modo geral, o consumo de cannabis está associado a uma idade jovem, ao sexo masculino e à raça branca, bem como a um estatuto de solteiro com rendimentos confortáveis.


No primeiro estudo realizado entre 2007 e 2008, a taxa de consumo de cannabis atingiu inicialmente um total de 27,7 %, mas este valor foi aumentando gradualmente. Assim, atingiu uma percentagem de 34,4 % no último estudo, realizado entre 2015 e 2016.


É importante referir, no entanto, que o uso de cannabis medicinal (sujeito a receita médica) é permitido no Canadá desde 2001 e que o seu uso recreativo, num quadro regulamentado, é legal desde 2018.


Uma tendência que se aplica também aos doentes americanos


A NORM (Organização Nacional para a Reforma das Leis sobre a Maconha) salientou que se observaram resultados bastante semelhantes no Michigan, uma vez que um estudo semelhante tinha anteriormente indicado que um quarto dos doentes com cancro também declarou recorrer à cannabis medicinal. Segundo os investigadores que participaram neste estudo, «a grande maioria dos doentes considera que o consumo de MC [canábis medicinal] levou a uma melhoria dos sintomas avaliados, em particular a dor, a falta de apetite e a ansiedade.»


No âmbito deste estudo, uma equipa de investigadores do Hospital Beaumont entrevistou um total de 188 doentes com cancro, para saber mais sobre o seu consumo de canábis medicinal. Esta investigação decorreu em 2018, ou seja, após a legalização da cannabis no Michigan, mas antes da autorização da venda de cannabis recreativa, concedida um ano mais tarde. No final deste trabalho, os cientistas puderam assim observar que um total de 25 % dos doentes com cancro declaravam recorrer regularmente à cannabis medicinal.