Apesar dos seus inúmeros benefícios, o CBD continua a ser muito estigmatizado em Portugal os nossos vizinhos europeus já deram espaço a este mercado mais do que promissor.
CBD e cannabis: uma confusão que persiste
Um dos maiores obstáculos ao sucesso do CBD provém do seu primo, a cannabis. É importante saber que, visualmente, não há qualquer diferença entre a planta da cannabis e a do cânhamo, da qual o CBD é extraído.
A diferença reside na sua composição. Enquanto a planta de canábis apresenta um teor de THC entre 15 % e 25 %, o cânhamo, por sua vez, contém menos de 0,3 %. É também por isso que se lhe chama «cannabis light».
O THC é, portanto, uma molécula presente no cânhamo e na cannabis e que está na origem da classificação da planta de cannabis como estupefaciente. O THC provoca efeitos psicotrópicos e, em caso de consumo regular, pode causar dependência.
É, portanto, comum confundir o CBD com a cannabis. No entanto, a OMS pronunciou-se a favor do CBD. Na opinião dos seus especialistas, o CBD não apresenta qualquer risco para a saúde e, por isso, não é considerado um estupefaciente.
Aliás, o Tribunal de Justiça Europeu reafirmou esta posição no processo Kanavape: alguns empresários franceses foram levados a tribunal por terem colocado à venda cigarros eletrónicos com CBD. A Europa deu-lhes razão.
A França está a dar passos para trás no que diz respeito ao CBD
No passado dia 31 de dezembro, o Governo decidiu aprovar discretamente um decreto para proibir a venda de flores e folhas de CBD em Portugal também, como é lógico, para aumentar o teor de THC dos restantes produtos derivados do cânhamo, passando assim de 0,2% para 0,3%.
Esta decisão reflete bem a tendência seguida pelo Governo em relação ao CBD e, consequentemente, à legalização da cannabis.
Embora o decreto esteja hoje provisoriamente suspenso, foram, no entanto, levantadas inúmeras questões sobre a classificação ou não do CBD como estupefaciente.
Os profissionais do setor do CBD terão, portanto, de demonstrar os benefícios do CBD para que o seu estatuto seja finalmente reavaliado.
Aliás, isto leva a outra anomalia: ainda não existem estudos em Portugal as propriedades terapêuticas do canabidiol, enquanto no estrangeiro estes estudos estão em constante aumento. O CBD tem sido amplamente estudado e, atualmente, centenas de estudos científicos demonstram as suas diversas ações sobre o nosso bem-estar.
Quais são os benefícios do CBD?
Foram realizadas inúmeras pesquisas científicas sobre os efeitos do CBD no nosso organismo.
Os resultados dos seus estudos demonstraram que o canabidiol é um canabinóide, ou seja, que pode interagir com o nosso sistema endocanabinóide, alterando a mensagem que este transmite. Ora, estes recetores estão espalhados por todo o nosso organismo, o que leva a crer que o CBD poderá, portanto, ter uma ampla aplicação.
É importante referir que os estudos médicos realizados já demonstraram que o canabidiol:
Alivia o stress e a ansiedade
Alivia as dores (reumatismo, enxaquecas, cólicas menstruais…)
Reduz os problemas de pele, purificando, acalmando e regulando a secreção de sebo
Ajuda os desportistas a recuperarem melhor após o esforço
Atua como um anti-inflamatório
É um excelente antiespasmódico e facilita a digestão
Melhora a qualidade do sono e ajuda a adormecer mais rapidamente (é muito benéfico para pessoas que sofrem de distúrbios do sono)
Ajuda no tratamento de dependências (cannabis, nicotina…)
Chegou, portanto, a altura de a França alinhar-se com os seus vizinhos europeus para que possamos usufruir de todos os benefícios que o CBD tem para nos oferecer.