O comércio de CBD foi legalizado tardiamente em Portugal, especialmente quando comparado com outros países europeus relativamente próximos. No entanto, assim que a sua legalidade foi oficializada, o sucesso não tardou a chegar. Atualmente, é possível adquirir qualquer tipo de produto de CBD no mercado francês. Flores de CBD, óleos, extratos, e-líquidos e até cosméticos: a diversidade é enorme.
Mas e quanto à evolução da legislação em torno do CBD?
Em 2022, a venda de CBD vai passar a seguir novas regras?
Trata-se de uma evolução positiva ou de um retrocesso?
Neste artigo, apresentamos-lhe todas as informações úteis sobre a nova legislação de 2022 relativa ao CBD. E o que muda com ela.
O que é o CBD?
Sempre que se aborda o tema dos canabinóides, é comum haver confusão entre o THC e o CBD. No entanto, trata-se de um grande erro. Especialmente do ponto de vista legal e jurídico.
O THC é considerado uma droga, e tanto a sua venda como o seu consumo são proibidos. Isto deve-se aos efeitos psicotrópicos significativos que provoca, sem esquecer o seu elevado potencial de dependência.
Por outro lado, o CBD é apreciado principalmente pelos efeitos terapêuticos que teria na saúde. Anti-inflamatórios, antidepressivos, anti-stress, capacidade de aliviar dores crónicas, aumento da sensação de bem-estar, otimização do sono profundo: a lista dos seus potenciais benefícios para a saúde é longa. O seu funcionamento é bastante simples. Quando consumimos CBD, as moléculas de canabidiol circulam no nosso organismo e fixam-se no que chamamos de sistema endocanabinóide. Mais precisamente, nos recetores CB1 e CB2 deste último. Estes recetores estão presentes em todas as zonas do nosso corpo. Atribuímos-lhes a nossa forma de perceber as diferentes emoções, como o bem-estar, a felicidade ou ainda a dor. O CBD atuaria, portanto, sobre estes recetores para intensificar as nossas perceções positivas e, pelo contrário, inibir as perceções nociceptivas.
Informação útil: o consumo de CBD não provoca efeitos secundários nem apresenta risco de dependência. Isso contribui para a sua popularidade na maioria dos países da Europa, incluindo em Portugal.
Os fundamentos da antiga legislação
Antes de abordar os desafios da nova legislação de 2022, é interessante analisar a anterior. Foi em 1990 que a França aprovou a sua primeira legislação relativa ao CBD. Desde então, a lei estabelecia uma série de condições a cumprir para que a comercialização e a exploração do cânhamo fossem possíveis:
- uma origem limitada às variedades de Cannabis Sativa,
- um teor de THC inferior a 0,20 %,
- e uma origem exclusivamente ligada às sementes e fibras de cânhamo.
Estas condições pretendiam ser claras; no entanto, referiam-se apenas à planta do cânhamo e não aos produtos finais. Recentemente, um decreto datado de 30 de dezembro de 2021 veio perturbar a ordem previamente estabelecida.
CBD 2022: o que muda com a nova legislação
O ano de 2022 marca, sem dúvida, uma reviravolta completa no mundo do CBD. Em particular para os profissionais do setor, cujas lojas físicas e online não têm parado de crescer nos últimos anos. Mas então, o que podemos esperar?
Decreto de 30 de dezembro de 2021
Tudo começa com um decreto publicado a 30 de dezembro de 2021. Nele encontra-se uma nova definição das proibições impostas aos produtores e comerciantes de CBD. O cultivo, a exportação e a utilização de canabidiol proveniente da Cannabis Sativa L. são autorizados, desde que sejam cumpridas duas condições. A primeira é que o objetivo deve ser exclusivamente industrial e comercial, e a outra é que o teor de THC não deve exceder 0,30 %.
Além disso, a venda de flores e folhas de cânhamo passou a ser proibida.
Até aqui, nada de alarmante. Mas a situação torna-se mais complexa quando se analisa em pormenor o conteúdo da nova lei, em vigor desde o início de 2022.
Janeiro de 2022: entrada em vigor da nova lei sobre o CBD
O decreto de 30 de dezembro de 2021 foi apenas um antegozo. A entrada em vigor da nova legislação em janeiro de 2022, por sua vez, representa um verdadeiro travão para a indústria do CBD. Nela se destaca, nomeadamente, a proibição de comercializar flores de CBD para fumar ou beber, em chás e infusões.
Isto tem consequências, em particular no que diz respeito à produção destas flores de CBD. Com esta nova legislação, doravante apenas os agricultores em atividade têm o direito de cultivar estas flores, sujeitos a determinadas condições rigorosas.
Que impacto terá isto no comércio de CBD em Portugal
É inegável que estas mudanças terão um forte impacto no comércio de CBD. Pode-se até dizer que já estão a ter esse impacto.
O cultivo e a comercialização de flores de cânhamo representam uma grande parte do volume de negócios da maioria das lojas de CBD. A incompreensão é tal que o Sindicato Profissional do Cânhamo (SPC) preparou um recurso de impugnação para tentar bloquear a sua aplicação durante algum tempo.
Por enquanto, o Conselho de Estado deu-lhes razão e suspendeu a aplicação da nova lei. Será que esta legislação arriscada será definitivamente revogada, ou apenas a sua aplicação foi adiada? O tempo o dirá.
Por enquanto, é, portanto, totalmente legal comprar e consumir CBD em Portugal, desde que o produto contenha menos de 0,30% de THC.
A suspensão do decreto é, no entanto, provisória e o Estado terá de se pronunciar em breve de forma definitiva sobre o estatuto das flores e das folhas.