Face à cannabis, cujos riscos de dependência são conhecidos, o CBD constitui a nova forma legal e, acima de tudo, segura de consumir cânhamo. A sua legalização em Portugal foi um processo longo e árduo, mas acabou por ser concretizada. O canabidiol não se enquadra, assim, na categoria dos estupefacientes, da qual o THC faz parte.
Mas isso significa que o consumo de CBD é totalmente seguro?
E quanto aos seus possíveis efeitos secundários na saúde?
E quanto ao risco de overdose?
CBD, dosagem adequada e overdose: eis todos os detalhes que precisa de saber.
O CBD tem efeitos secundários prejudiciais para a saúde?
O CBD é um dos canabinóides da planta do cânhamo, tal como o THC ou o CBN. Como tal, possui uma série de supostos benefícios para a saúde, mas também algumas contraindicações.
Assim, não tem, propriamente dito, efeitos secundários perigosos para a saúde, muito pelo contrário. No entanto, os médicos concordam que é necessário ter em conta as principais contraindicações existentes relativamente ao consumo de canabidiol, a fim de evitar qualquer risco de reação indesejada. Por exemplo, não é aconselhável que pessoas com problemas cardíacos consumam canabidiol. Isto deve-se à capacidade que o CBD teria de estimular o nosso sistema cardiovascular, que já se encontra demasiado fragilizado nos doentes cardíacos. Outro exemplo diz respeito às mulheres grávidas e a amamentar. A base científica ainda é muito insuficiente; no entanto, durante a gravidez ou a amamentação, a mais pequena substância ingerida pela mãe é transmitida ao bebé, um ser particularmente frágil. Por isso, é fortemente desaconselhado às mulheres grávidas e a amamentar consumir CBD, mesmo em pequenas doses. Os riscos identificados são os seguintes:
- um aumento do risco de aborto espontâneo,
- um aumento do risco de gravidez extrauterina,
- um atraso cognitivo do bebé,
- um atraso no crescimento e um baixo peso à nascença.
No entanto, tenha em mente que estes são apenas alguns exemplos de contraindicações, combinações que não devem ser feitas sob pena de provocar efeitos secundários incontroláveis. É, portanto, importante distinguir claramente estas contraindicações de uma overdose. Não se trata, de forma alguma, de uma overdose, pois não, não é possível sofrer uma overdose de CBD.
CBD e medicamentos: uma interação a evitar
Os medicamentos. Estes têm os seus próprios efeitos no nosso organismo, bem como possíveis efeitos secundários e contraindicações. Ao combinar o consumo de CBD com o de medicamentos, o risco mais significativo é o de os efeitos dos medicamentos serem alterados ou mesmo anulados. Ora, isto pode ter graves consequências para a saúde.
É importante saber que, durante a metabolização do canabidiol e dos medicamentos, o nosso corpo não consegue concentrar-se nas duas substâncias ao mesmo tempo. Assim, novos estudos demonstraram que o corpo dá prioridade às moléculas de CBD, e não aos medicamentos. Qual é a consequência? O nosso organismo irá concentrar a sua ação na metabolização dos componentes do CBD. Esta seleção efetuada pelo fígado provocará uma espécie de inibição dos efeitos dos medicamentos. Isto é ainda mais perigoso se os medicamentos se destinam a tratar uma patologia grave. Assim, mesmo que beba uma simples infusão de CBD, é preferível espaçar a sua ingestão da toma dos seus medicamentos habituais.
CBD: sem risco de overdose
Antes de falar de overdose, é útil distinguir o CBD do seu primo, o THC. É inegável que o THC é consumido principalmente pelos seus efeitos psicotrópicos e pela sensação de euforia que proporciona. No entanto, é importante salientar que este tem um forte potencial de dependência, bem como efeitos secundários prejudiciais para a saúde, tais como alterações do ritmo cardíaco ou mesmo paranóia.
O canabidiol, ou CBD, por sua vez, é radicalmente diferente nestes aspetos. Não tem, de todo, o mesmo impacto no nosso organismo. Para entrar em pormenores, enquanto o THC tem uma influência nociva no nosso tronco cerebral, o CBD, por sua vez, não apresenta qualquer perigo deste tipo. O mesmo se aplica ao seu risco de dependência, que é nulo.
É importante ter em conta que o CBD foi legalizado em Portugal, na sequência de numerosos estudos científicos que comprovam a ausência de riscos associados ao seu consumo. Esta legalização foi possível, nomeadamente, devido à ausência de efeitos psicoativos e de impactos graves no organismo, tais como alterações na respiração ou na pressão arterial.
Informação determinante: o CBD comercializado legalmente contém menos de 0,3 % de THC. Todas estas informações confirmam, portanto, que o CBD não se enquadra na categoria dos estupefacientes, que não apresenta qualquer risco para a saúde e, acima de tudo, que não pode causar uma overdose.
Dicas para encontrar a dose certa de CBD no dia a dia
Por definição, uma overdose indica que uma substância foi consumida em doses extremamente elevadas e excessivas, levando à falência do nosso organismo ou mesmo a um risco de morte.
O consumo de CBD não está sujeito a nenhuma recomendação específica em termos de dosagem. Pelo contrário, esta é muito variável, dependendo de vários fatores, tais como o peso, os hábitos de consumo, as necessidades específicas a satisfazer — como um nível elevado de dor ou um simples cansaço passageiro —, ou ainda a regularidade do consumo. Regra geral, estima-se que se deva contar com 1 a 5 mg por cada 5 quilos de peso corporal.
O principal conselho para os novos consumidores é começar com uma dose baixa, utilizando produtos com baixa concentração de CBD. A dose pode depois ser aumentada gradualmente, até atingir os efeitos desejados. Saiba também que, independentemente da forma de consumo, é sempre possívelaumentar a concentração de CBD do seu produto, em vez de aumentar a dose.