O HHC foi incluído na lista de estupefacientes

O HHC foi incluído na lista de estupefacientes

A Agência Nacional de Segurança dos Medicamentos e Produtos de Saúde (ANSM) acaba de incluir o HHC na lista de estupefacientes. Esta decisão foi tomada devido às crescentes preocupações relativas ao uso e aos efeitos potencialmente nocivos do HHC. É uma boa oportunidade para fazermos um balanço sobre a molécula de HHC, os seus efeitos e a sua proibição. 

Apresentação do HHC 

O HHC, cujo nome completo é hexahidrocanabinol, é uma molécula que se encontra em quantidades ínfimas na planta do cânhamo. É importante referir que o HHC é diferente do delta-9-tetrahidrocanabinol, mais conhecido como THC, que é o principal componente psicoativo da cannabis.

O HHC faz parte dos canabinóides: é uma molécula capaz de interagir com os recetores CB1 e CB2 do nosso sistema endocanabinóide. Faz parte da família de outras substâncias da cannabis, como o CBD (canabidiol), o CBN (canabinol), o CBG (canabigerol), o THC... 

Foi em 1944 que o químico norte-americano Roger Adams conseguiu sintetizar o HHC em laboratório. 

Para o conseguir, hidrogenou uma molécula de THC (delta-9-THC). 

Apesar de o HHC ter sido descoberto há relativamente pouco tempo, são muito poucas as pesquisas que estudaram os seus efeitos no nosso organismo. 

Deixado de lado, só em 2021 é que o HHC voltou a ganhar destaque e alcançou o sucesso que hoje conhecemos. Encontramo-lo, assim, na forma de flor de HHC, resina de HHC, pólen de HHC, caneta de vaporização ou mesmo rebuçados e óleo. 

O HHC: uma substância controversa 

Mas então, se o HHC é uma molécula natural, por que é tão controversa? 

Para compreender isso, é necessário analisar dois aspetos: o seu fabrico e os seus efeitos. 

O HHC, como já referimos, está presente em quantidades mínimas na cannabis. Seria, portanto, complicado e muito dispendioso comercializá-lo. Por isso, é sintetizado. No entanto, ainda não foi suficientemente estudado para que possamos conhecer os efeitos de uma molécula sintética no nosso organismo. 

Além disso, o HHC apresenta efeitos semelhantes aos do muito mais conhecido THC, mas parece ser mais potente. 

De facto, o HHC e o THC têm estruturas moleculares muito semelhantes, com a única diferença de que o HHC possui mais dois átomos de carbono. 

No entanto, essa «pequena» diferença conferir-lhe-ia uma maior afinidade com os nossos recetores CB1. O que teria como consequência proporcionar uma experiência com efeitos mais potentes do que os do THC. O HHC contribuiria assim para uma sensação de relaxamento, melhoraria o humor e provocaria alterações na perceção do tempo e do espaço… 

Proibição do HHC: qual é a situação? 

Diante do enorme sucesso do HHC, o Governo francês não tardou a interessar-se de perto por esta nova substância. Assim, o Ministro da Saúde — François Braun — anunciou, no passado dia 15 de maio, que estava em curso uma avaliação dos riscos do HHC e que era uma questão de semanas até que fosse proibido em Portugal. 

Já está feito. 

Nesta segunda-feira, 12 de junho, a ASNM anunciou a inclusão do HHC na lista de estupefacientes. A esta lista juntam-se também o HHCP e o HHCO, outros derivados do HHC. Pode, aliás, reler o nosso artigo sobre os derivados do HHC

Esta decisão foi tomada após uma avaliação minuciosa das evidências científicas e das preocupações relativas à saúde e segurança públicas associadas ao uso do HHC.

Assim, a partir de 13 de junho de 2023, o HHC, o HHCP (hexahidroxicanabiforol) e o HHCO (acetato de hexahidrocanabinol) ficam proibidos à venda e ao consumo. A França vem assim juntar-se à lista de países europeus, como a Noruega, a Finlândia e a Polónia, que proíbem o HHC. Flores de HHC, resinas, óleos... Independentemente do produto de HHC que ainda tenha, já não poderá consumi-lo legalmente. 


A proibição deste canabinóide era esperada pelos intervenientes no mercado do CBD e, sinceramente, não constitui uma surpresa. Esperemos que a decisão da ANSM marque o início de uma melhor regulamentação do mercado do CBD e de outros canabinóides.